A rua dos japoneses

Foi em 1912 que os imigrantes japoneses também passaram a residir na Rua Conde de Sarzedas. Eram apenas duas a três moradias no lado direito da rua, mas totalmente ocupado no seu lado esquerdo. Havia uma ladeira íngreme e na baixada, um riacho e toda uma área de mangue. De baixo da ladeira podia se avistar a imponente residência do Conde de Sarzedas, no alto da rua, que mais parecia um castelo.

Um dos motivos que levaram os imigrantes japoneses a procurar as casas da Rua Conde de Sarzedas para morar é que quase todas elas haviam porões. E os aluguéis dos quartos no subsolo eram incrivelmente baratos, pois serviam apenas como dispensas. 

E esses quartos eram alugados não apenas por uma pessoa, mas geralmente em grupos. Para aqueles imigrantes, aquele cantinho da cidade de São Paulo significava esperança por dias melhores. Por ser um bairro central, de lá poderia se locomover facilmente para o centro e também para os locais de trabalho.

Os japoneses se reuniam, preparavam o misso-shiru (sopa de misso) e assavam sardinhas para as refeições. Em meio ao cheiro característico desses produtos, eles acabaram por formar, gradativamente, uma sociedade, pequena ainda, chamada de “rua dos japoneses”. Daí começou a surgir à primeira hospedaria, um empório, uma casa fabricante de tofu (queijo de soja), outra fabricante de manju (doce japonês) e também pessoas do tipo agenciadores de empregos.

No ano de 1915 criou-se o Taisho Shogakko (Escola Taisho), que iria ajudar na educação dos filhos dos japoneses (já em número aproximado de 300 pessoas).

A Rua Conde de Sarzedas transformava-se aos poucos no centro das atividades dos japoneses. Por volta de 1916, na parte baixa da rua, resolveram formar um clube para iniciar a prática de yakyu ( beisebol ).

No dia 14 de julho de 1915, foi criado o Consulado Geral do Império do Japão em São Paulo, no nº. 297 da Rua Augusta. Em 1918, inauguraram-se a Casa Mikado e a Casa Tokyo, que vendiam móveis de fabriacação própria. Eram os primeiros estabelecimentos comerciais de imigrantes japoneses, abertos para o público em geral.

Em 1932, na cidade de São Paulo já estavam morando cerca de 2.000 imigrantes japoneses. Já havia imigrantes que vinham diretamente a São Paulo, logo que desembarcavam em Santos e também aqueles que estavam na lavoura e que tinham o contrato de trabalho encerrado, que procuravam novas oportunidades em atividades na cidade.

Somente na Rua Conde de Sarzedas moravam cerca de 600 japoneses. As outras ruas os japoneses passaram a morar: Irmã Simpliciana, Tabatinguera, conde do Pinhal, Conselheiro Furtado, Tomás de Lima (onde em 1914, foi fundado o Hotel Ueji, o pioneiro entre os hotéis japoneses em São Paulo) e Estudantes. O bairro dos japoneses estava se expandindo a cada dia.

As profissões e as atividades dos japoneses imigrantes passaram a variar cada vez mais. Trabalhavam no ramo de comércio exterior, lojas de produtos alimentícios, móveis, na área da construção civil, motoristas, médicos, educadores, farmacêuticos, fotógrafos, montaram barbearias e tinturarias.

Eram mais de 60 diferentes atividades. Mas a quase totalidade, desses estabelecimentos comerciais, funcionavam quase que exclusivamente para atender a colônia japonesa.

Segundo conta Tomoo Handa, em seu livro “História da Imigração Japonesa” (Imim no Seikatsu no Rekishi), o início da fabricação de shoyu colaborou para o surgimento de uma fábrica de tofu, que por sua vez estimulou a fabricação do udon. As hospedarias foram surgindo também em função desses produtos japoneses. O shoyu fez com que os imigrantes pudessem matar a saudade da comida japonesa.

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